Bruxelas Oferece Isenções de Carbono e Fertilizantes para Selar Pacto com Mercosul
A Comissão Europeia iniciou uma ofensiva diplomática nesta quarta-feira (7) para garantir a assinatura do acordo de livre comércio com o Mercosul. Em uma tentativa estratégica de apaziguar os ânimos de produtores rurais e nações resistentes, o braço executivo da UE propôs reduções drásticas nas taxas de importação de insumos agrícolas e flexibilidade na nova legislação climática.
As Concessões de Bruxelas:
- Insumos: Remoção das taxas padrão de 6,5% sobre ureia e 5,5% sobre amônia.
- Clima: Possibilidade de suspensões temporárias da taxa de carbono na fronteira (CBAM).
- Subsídios: Aceleração de 45 bilhões de euros em apoio aos agricultores europeus.
Fertilizantes e o Imposto de Carbono
O comissário de comércio, Maros Sefcovic, destacou que a remoção de tarifas sobre fertilizantes é uma resposta direta às pressões da França e da Itália. Estes países temem que a taxa de carbono (CBAM), em vigor desde o início deste ano, encareça a produção local e dê vantagens competitivas “injustas” a produtos estrangeiros. A isenção temporária busca equilibrar a balança enquanto o acordo com o bloco sul-americano é finalizado.
O Fator China e a Dependência de Minerais
Para os defensores do tratado, o acordo Mercosul-UE transcende a agricultura. Ele é visto como uma peça vital para reduzir a dependência europeia da China e garantir acesso a minerais críticos necessários para a transição energética. Além disso, o pacto serviria como um anteparo contra as recentes políticas tarifárias dos EUA que têm atingido as exportações do bloco europeu.
Análise Especial: O estágio final das negociações

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Obstáculos: Polônia, Hungria e a Crítica Francesa
Apesar de ter conquistado o apoio da Itália com um pacote bilionário de subsídios, a Comissão ainda enfrenta a oposição ferrenha da Polônia e da Hungria. A França permanece em posição crítica, embora a Irlanda, tradicional exportadora de carne, já sinalize uma possível adesão desde que salvaguardas rigorosas contra o influxo de commodities baratas sejam implementadas.
O sucesso do acordo, elaborado há 25 anos, depende agora de uma maioria qualificada de 15 membros que representem 65% da população da UE para que a assinatura ocorra na próxima semana.
