O Ciclo do Crédito e Juros: Projeções para 2026
Análise da Pesquisa Febraban sobre a desaceleração gradual do mercado de crédito e o início do corte da Selic.
O mercado financeiro brasileiro inicia 2026 sob a lente de uma moderação estratégica. Segundo a mais recente Pesquisa de Economia Bancária da Febraban, o otimismo com o volume de crédito em 2025 (9,2%) deve dar lugar a um crescimento ligeiramente mais conservador de 8,2% em 2026. Para o investidor atento aos Juros, essa desaceleração gradual sinaliza um momento de transição importante na política monetária nacional.
O Raio-X do Crédito: Entre o Direcionado e o Livre
A pesquisa realizada com 20 instituições financeiras aponta que a resiliência do crédito em 2025 foi sustentada, em grande parte, por programas governamentais voltados para Micro e Pequenas Empresas (MPMEs). Contudo, a composição desse crescimento para 2026 apresenta nuances críticas. Enquanto o crédito direcionado para empresas continua robusto, a carteira livre para pessoas físicas apresenta uma piora qualitativa, com aumento na dependência de linhas rotativas.
A Taxa Selic e o Horizonte de Corte em Março
Um dos pontos de maior convergência entre os analistas é a manutenção da taxa básica de juros no início do ano. Cerca de 70% dos bancos preveem que o Copom manterá a Selic em 15% ao ano na reunião de janeiro, iniciando o ciclo de flexibilização apenas em março. Este cenário sugere que a Renda Fixa pós-fixada continuará entregando prêmios reais significativos durante o primeiro trimestre de 2026.
| Indicador | Expectativa 2025 | Projeção 2026 | Tendência |
|---|---|---|---|
| Crescimento Crédito Total | 9,2% | 8,2% | Desaceleração Gradual |
| Selic (Início do Ano) | 15,0% | 15,0% | Estabilidade |
| PIB (Atividade Econômica) | – | 1,8% | Melhora no Sentimento |
| Inadimplência (Livre) | 5,1% | 5,2% | Atenção Elevada |
Alerta de Risco: Inadimplência no Radar
A projeção de inadimplência para a carteira livre em 2026 subiu para 5,2%. O aumento da participação de linhas de crédito de alto custo (rotativo) no orçamento das famílias é o principal gatilho para esse viés de alta, exigindo cautela na exposição a ativos de crédito privado de menor rating.
Meta Fiscal e Pressões Inflacionárias
A questão fiscal permanece como o “elefante na sala”. Embora o consenso não aponte para um descumprimento formal da meta em 2026, 80% dos analistas acreditam que medidas adicionais de contingenciamento ou bloqueios de despesas serão obrigatórios. Esse rigor fiscal é visto como condição *sine qua non* para que a inflação — que 50% dos bancos ainda veem acima do centro da meta — permita um ciclo de cortes mais agressivo por parte do Banco Central.
O Cenário Externo: O Federal Reserve e o Dólar
O cenário para os Juros no Brasil não é isolado. A expectativa de que o Federal Reserve realize apenas dois cortes de 0,25 p.p. nos EUA em 2026 limita o espaço para o Copom ser excessivamente audacioso. Uma inflação americana persistente mantém o diferencial de juros pressionado, o que pode manter o dólar em patamares elevados, retroalimentando a inflação interna via bens comercializáveis.
Conclusão: Estratégia para o Primeiro Semestre
Para o investidor do Seuinvestimentos.com, o primeiro semestre de 2026 será de “observação e prêmio”. Com a Selic em patamares elevados até março, a liquidez imediata em títulos pós-fixados permanece atrativa. Contudo, a melhora na expectativa do PIB (agora em 1,8%) abre janelas para ativos de risco e crédito estruturado, desde que a governança fiscal se mantenha firme. A chave do ano será a velocidade e a extensão do ciclo de cortes que se inicia no outono.
Preparado para a mudança nos Juros?
Analise as melhores opções de Renda Fixa para o novo ciclo:
– Pesquisa de Economia Bancária e Expectativas (Febraban) – Dezembro 2025/Janeiro 2026.
– Relatório de Mercado do Banco Central (Focus).
– Análises Macro de 20 Instituições Financeiras Atuantes no Brasil.
