Varejo de Moda 2026: A Nova Guerra por Metros Quadrados em Shoppings
Por que o Bradesco BBI elevou o alerta para Lojas Renner (LREN3) enquanto aposta na recuperação da C&A (CEAB3).
A Turbulência das Ações CEAB3: Realidade ou Oportunidade?
A C&A (CEAB3) viveu uma “derrocada” no início de janeiro, com quedas acumuladas superiores a 15%. O gatilho foi a sinalização de que o indicador *Same Store Sales* (SSS – Vendas nas Mesmas Lojas) ficaria próximo de zero no 4T25. Para o investidor de curto prazo, o movimento assustou; para o estrategista, abriu-se um debate sobre o potencial de recuperação (turnaround).
Apesar do SSS fraco, a estrutura financeira da companhia foi saneada, permitindo que ela volte a focar na adição de área bruta locável (ABL). A projeção é de uma aceleração para 10-15 novas lojas já em 2026, focando em mercados onde a concorrência já está estabelecida.
O Retorno da Expansão Física em 2026
Após um período de “dieta” em novos metros quadrados, C&A, Guararapes (GUAR3) e Renner planejam acelerar. O foco são os shoppings, que compõem 85% da base dessas redes. O estudo do Bradesco BBI aponta um mercado endereçável de 170 novas lojas para C&A e Riachuelo.
Esta retomada é um motor histórico de crescimento para o varejo tradicional. No entanto, em 2026, a expansão não se dará apenas em praças novas, mas sim na ocupação de espaços onde a liderança era incontestável.
Renner e o Risco do Fim do ‘Oceano Azul’
A Lojas Renner sempre foi premiada pelo mercado por sua eficiência e por atuar em muitos shoppings sem a presença direta de C&A ou Riachuelo — o famoso “oceano azul”, que representa 24% de sua base. O problema? Os concorrentes agora miram exatamente esses locais.
Insight do Estrategista:
Mais da metade das potenciais aberturas de C&A e Riachuelo se sobrepõem a locais onde hoje só a Renner opera. Isso eleva o risco de “canibalização” de produtividade. Quando um concorrente direto abre ao lado de uma loja legada, a venda por metro quadrado tende a sofrer pressão imediata.
Comparativo Estratégico e Recomendações
O quadro abaixo resume as expectativas do Bradesco BBI para o médio e longo prazo, destacando o potencial de valorização (upside) agressivo para as ações que estão em fase de recuperação.
| Ticker | Classificação | Preço-Alvo (R$) | Upside (%) |
|---|---|---|---|
| CEAB3 (C&A) | Outperform (Compra) | 24,00 | 129% |
| GUAR3 (Guararapes) | Outperform (Compra) | 13,00 | 52% |
| LREN3 (Renner) | Neutro | 18,00 | 37% |
Educação Financeira: Como o Investidor deve Agir?
Investir em varejo exige entender que o crescimento marginal da Renner agora depende mais de ganhos de produtividade do que de novas praças. Por outro lado, a C&A e a Guararapes têm um “caminho de crescimento” (growth runway) mais limpo para novas lojas, o que justifica o otimismo de analistas com seus preços-alvo.
Na **gestão de portfólio**, é prudente avaliar se a sua exposição ao varejo está concentrada apenas na líder. O “oceano azul” da Renner está diminuindo, e a competição em 2026 será pelo bolso de um consumidor cada vez mais disputado nos shoppings do Sudeste e Nordeste.
Conclusão: O Desafio da Produtividade
O alerta do Bradesco BBI não significa que a Renner perdeu seus fundamentos, mas que o prêmio de risco das suas ações deve ser ajustado. Enquanto C&A e Riachuelo jogam para ganhar território, a Renner terá que jogar para defender sua produtividade. Em 2026, no varejo de vestuário, a melhor defesa poderá ser a inovação na experiência do cliente dentro de shoppings já saturados.
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