Safra Recorde e o Dilema Cambial: O Que Esperar da Inflação de Alimentos em 2026

1. Retrospectiva 2025: O Papel do Dólar e da Supersafra
Em 2025, o IPCA-15 revelou uma deflação expressiva em itens básicos da cesta de consumo. Produtos como o arroz (-26,04%) e o feijão preto (-31,82%) lideraram as baixas. Segundo especialistas do Ibre/FGV e do C6 Bank, o recuo de aproximadamente 10% no **dólar** ao longo do ano foi o principal catalisador dessa trégua. Um câmbio mais baixo reduz o custo de insumos importados, como fertilizantes, e desestimula a exportação desenfreada, garantindo maior oferta no mercado interno.
Aliado a isso, o Brasil consolidou uma produtividade agrícola exemplar. No entanto, analistas reforçam que a deflação de alimentos no domicílio (que subiu apenas 1,94% no ano) é um fenômeno que dificilmente se sustentará sem o suporte da moeda estrangeira.
2. O Risco Cambial em Ano Eleitoral
Historicamente, anos eleitorais no Brasil são marcados por volatilidade no **mercado financeiro**. Em 2026, a expectativa é de uma depreciação do real. André Braz, coordenador do Ibre/FGV, aponta que o ruído político tende a afastar o capital estrangeiro, pressionando a cotação da moeda americana. Com um dólar projetado na casa dos R$ 5,35 a R$ 5,40, o estímulo para exportar grãos e carnes aumenta, o que reduz a disponibilidade doméstica e eleva os preços para o consumidor local.
3. Política Fiscal e a Desconfiança do Mercado
A **política fiscal** é o fiel da balança para a estabilidade econômica. O mercado observa com cautela a tendência de aumento do gasto público em períodos pré-eleitorais. A desconfiança sobre o cumprimento de metas fiscais gera um ciclo vicioso: maior risco país, dólar mais alto e, consequentemente, **inflação** persistente. Claudia Moreno, do C6 Bank, projeta que esse cenário pode acarretar um aumento de até 7% nos custos de alimentação para consumo no domicílio em 2026.
4. Projeções para 2026: Proteína Animal e Insumos
Além do câmbio, fatores cíclicos na pecuária devem exercer pressão. O Ipea destaca que o abate de fêmeas realizado em períodos anteriores reduzirá a oferta de bezerros, encarecendo a carne bovina. Como as proteínas animais possuem alta elasticidade-substituição, o aumento no preço do boi gordo acaba arrastando os preços do frango e do suíno, criando um efeito dominó no índice de preços.
5. Conclusão Estratégica para o Investidor
Para o público que busca proteger seu **patrimônio**, o cenário de 2026 exige uma alocação inteligente. Títulos atrelados ao IPCA e ativos dolarizados podem servir como hedge (proteção) contra a volatilidade esperada. A trégua nos alimentos foi um evento pontual suportado por condições externas e safras excepcionais; a estratégia agora deve focar em resiliência diante de um possível repique inflacionário.
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